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23/04/2016

Não ao golpe, não à hipocrisia

A “reunião de bons pais e bons maridos”, de “honestos pela moralidade e pela família”, no último domingo, foi um atentado contra a democracia. Uma tentativa de dar aparência de legalidade a um golpe. Isso mesmo: golpe. Contra a democracia. Contra a Constituição. Como em 1964. Prova de que o Brasil, infelizmente, ainda não superou essa triste tradição.

 

Como deixaram claro as falas dos deputados, que passaram longe das inventadas “pedaladas fiscais”, Dilma e a democracia brasileira foram vítimas de uma tentativa de golpe, injustificável e inaceitável por qualquer cidadão que defenda a democracia, a justiça, a legalidade.

 

Também nós, do PCdoB, temos nossas críticas à política econômica e à dificuldade do governo em ampliar os avanços populares em escala mais profunda e veloz. Mas é inegável que as gestões Lula e Dilma asseguraram conquistas históricas para o povo brasileiro, com inclusão social jamais vista (40 milhões de cidadãos), fazendo o pobre ter comida na mesa e, vejam só, filho na universidade!

 

O Brasil cresceu muito, por muitos anos. Venceu as crises internacionais valorizando o mercado interno. Promoveu ascensão social a ponto de gerar para nossas elites um problema cultural: a aceitação da presença do outro, que, agora, pode com ela dividir espaço em faculdades, shoppings, aeroportos.

 

A tentativa de golpe rasga a Constituição e serve apenas aos interesses das forças conservadoras, embaladas por FIEC, FIESP e OAB. Pela sede de poder de Temer e Cunha. Estes, sim, têm explicações a dar, mas se acham no direito de depor ilegalmente a presidenta Dilma. A população brasileira não os aceita, por não engolir oportunismo, traição, injustiça, conspiração.

 

Impeachment sem crime tem nome: é golpe. Não adianta dizer que não. Nem afirmar que a presidenta deveria sair pelo fato de parte da população “não gostar do seu governo”. Outra grande parte foi às ruas em todo o País para defender Dilma e a democracia. “Não gostar de governo” não é motivo para impeachment, e sim para disputar eleições.

O golpe contra Dilma é um golpe contra o País e contra 54 milhões de brasileiros. Sigamos nas ruas e na luta para reverter isso, na Justiça e no Senado. Não deixemos que a história nos julgue como cúmplices de um golpe.

 

Chico Lopes

Deputado federal – PCdoB-CE

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